Thursday, November 20, 2008

Alma nua

Já há algum tempo que tinha vontade de deixar o anonimato, mas no dia seguinte voltava sempre atrás na minha decisão: tinha medo de me expor, de mostrar tudo o que me vai na alma. Porque isso implica mostrar aquilo de que gosto e o que ainda não aceito.

Olhei a magnólia, agora sem folhas, nua, sem defesas, apenas ela ao frio e à chuva... E a imagem que ficou foi de força, não de fraqueza. Aí percebi que estava mesmo na altura de me mostrar e assumir quem sou, assumir tudo o que sou.

Lembrei-me do que disse a Aninhas: Não nasci para ser igual, não nasci para ser diferente, nasci para ser Eu.

É verdade, nasci para ser EU, e para isso preciso de me assumir por inteiro, sem medos, sem vergonhas, sem defesas, apenas EU.

Tuesday, October 28, 2008

Sentir

Mais um período de recolhimento...

Muita coisa passou neste tempo, que me fez ver o mundo e a vida de outra forma. Sinto que não sou a mesma pessoa que escreveu o post anterior. Muita coisa morreu e muitas outras nasceram.

Depois de muitos dias num turbilhão de emoções, hoje sinto-me calma e olho duma outra perspectiva o que me rodeia. De repente, parece ter perdido a importância e o poder que tinha sobre mim. Sinto que o mundo pode desabar que eu continuarei aqui, de pé.

Sinto-me bem :)

Wednesday, September 3, 2008

O poder duma saia

Passei anos e anos a vestir unicamente calças. No início deste período de mudança profunda, decidi aceitar e alimentar o meu lado feminino e comecei a vestir saias. Umas mais curtas, outras mais compridas.

Até que, nesta minha viagem, experimentei uma saia até aos pés... ena, essas são mesmo diferentes. Sinto-me forte e segura, sinto que sou eu.

Com umas calças a força é mais agressiva, mais masculina. Com uma saia (até aos pés) é um poder tranquilo, de união, uma força que abraça.

Eu sou amor divino

Agosto foi intenso: andanças, vida verde, africa'ki... novos amigos, novas experiências: dançar, cantar, tocar.

A experiência de cantar e tocar instrumentos simples em grupo, no africa'ki, tocou-me profundamente. O som, a vibração, o transe... simplesmente cantar, sentir a vibração e deixar a voz sair sem pensar, sem lhe dar um significado, foi uma experiência fantástica, transformadora.

Percebi um pouco melhor a frase: tudo é amor. Porque sempre que algo me toca profundamente, o que sinto é um estado de amor incondicional: ser amor.

E eu, que me considerava incapaz de tocar um instrumento, uma pessoa sem ritmo, dou por mim todas manhãs a cantar mantras e outros sons que me vão pela alma e que acabam por simplesmente sair e a acompanhá-los com som dos mais diversos e improváveis instrumentos: batucar num livro ou sacudir um saco de papel cheio de amêndoas :)

Uau... algo tão simples e que me faz sentir tão aqui e agora, tão ligada, que me faz sentir amor, simplesmente ser amor. Aham Prema (eu sou amor divino)

Thursday, August 7, 2008

Amar

Hoje apetece-me expressar este amor imenso que me vai na alma. Este sentimento fantástico, que me faz sentir ligada a todas as pessoas, que me leva a querer abraçá-las, beijá-las. Amo-vos.

Estar no presente, desperta um sentimento extraordinário de alegria, calma, tranquilidade, gratidão e amor, simplesmente amor.

Até há alguns meses atrás tinha imensas dores no peito sempre que sentia amor, mas isso felizmente foi-se e é óptimo sentir este calor invadir todo o meu ser.

Antes também achava que só se ama quem partilha a mesma cama, mas há bem pouco tempo percebi que podemos amar todos os seres. Com alguns queremos ter uma relação mais íntima, física, ter filhos, etc. Mas com a grande maioria não sentimos essa vontade, sentimos apenas amor.

É muito bom sentir, estar viva, respirar este sentimento que abraça o mundo, que faz o universo expandir, contrair, mover-se .

Agora

O universo trouxe mesmo muitas coisas novas e mudança. Não sei explicar-vos o que mudou, mas sei que mudei. Estou mais aqui e agora.

Ler "A Prática do Poder do Agora", ajudou-me a estar no presente e a ter aquela sensação de estar imensamente viva, de me sentir ligada a tudo o que me rodeia.

Às vezes a sensação é tão forte que parece que me transcende, que não vou conseguir respirar o suficiente para conseguir sentir tudo. É indescritível, fantástica, acho que só mesmo experimentando.

As primeiras vezes que senti isto foi depois dum passeio pelo jardim ou pelo campo, e enquanto ia caminhando ia-me concentrando em sentir cada planta, cada árvore, cada pássaro, sentir a terra debaixo dos pés. E ao fim de algum tempo conseguia estar apenas ali e sentir que o tempo tinha parado, que mais nada importava.

Depois, comecei a sentir isso uma ou outra vez de forma mais espontânea quando me concentrava em mim mesma e no meu corpo.

Agora, ao ler o livro tenho conseguido fazer isso com muito mais facilidade, bastando concentrar-me na respiração abdominal e nos meus pensamentos. Já consigo fazê-lo mesmo durante o trabalho ou no reboliço do trânsito, o que é fantástico.

De repente, adquire-se uma visão totalmente nova da vida. E todas as questões se tornam relativas. Não te sentes nem melhor nem pior, sentes simplesmente que és.

Eu estou viva. Sou vida, aqui e agora.

Wednesday, July 9, 2008

Expansão e contracção

Como já perceberam pelo meu ritmo de posts no blog, tenho tido períodos de recolha, em que preciso de mais tempo para mim.

É no fundo o ciclo infinito da vida: expansão e contracção, dia e a noite, yin e yang, morte e renascimento. Talvez signifique que estou mais em sintonia com o universo.

A verdade é que deixei de me forçar a fazer aquilo que achava ser o correcto, agora faço apenas (ou quase) aquilo que me apetece. Se não tenho vontade de escrever ou de ver pessoas, não o faço. É uma nova atitude de respeito por mim mesma.

Sinto que iniciei mais um período de expansão, tenho vontade de conversar, sair, conhecer pessoas, deixar o universo trazer coisas novas, surpresas :)

Monday, June 9, 2008

Ligar o céu e a terra

Nesta minha tentativa de partir e deixar esta sociedade, questionei o facto de me ter apaixonado por alguém que faz parte dela.

Não percebia porque razão conhecer esta pessoa e apaixonar-me, me tinha levado a descobrir um mundo completamente diferente daquele a que ele pertence. Simplesmente não fazia sentido. Como é que eu ia conciliar ambos? Conciliar a minha vontade de viver num mundo diferente e o facto dele viver neste?

E como sempre, o universo respondeu. A resposta veio de diferentes formas, mas foi sempre a mesma: fazer a ligação entre o céu e a terra, entre este mundo materialista e o outro mais espiritual.

Olhei para a minha vida e percebi que já por outras ocasiões me encontrei nesta situação: ligar mundos opostos.

Ainda me sinto um pouco assustada com esta "missão impossível", mas sei que o universo me vai mostrar a melhor maneira de a concretizar. Basta confiar na perfeição da vida...

Afinal sou a Kali: destruir barreiras e construir pontes :) morte e renascimento

Entrega

Nesta minha luta para deixar esta sociedade materialista percebi que estava cada vez mais presa e era mais difícil partir. Quanto mais lutava mais emaranhada ficava.

Questionei-me sobre esta minha súbita aversão a esta sociedade e sobre o facto de me sentir cada vez mais presa a ela... percebi que ela, como tudo o resto, é uma co-criação minha. Esta sociedade reflecte um aspecto de mim mesma que não quero ver: a fuga aos sentimentos e às emoções. A busca dos aspectos materiais como desculpa para não continuar a minha caminhada... porque caminhar nem sempre é fácil e às vezes parece tão simples esquecer tudo e sentar-me no sofá a ver televisão...

A única solução é aceitar que os outros persigam as suas próprias caudas, se é essa a sua escolha. Aceitar que por vezes também o faço, também me escondo, também deixo de ouvir o meu coração e de seguir o chamamento da minha alma.

Depois de perceber isto, aconteceu algo fantástico. De repente, olhei os queixumes e os problemas dos que me rodeiam apenas com amor. Senti que eles, como tudo o resto, são apenas partes de mim... perdidas, na procura do sentimento de união e de amor incondicional. Uau... nem sei que diga... foi uma sensação extraordinária.

Há algum tempo, depois de ler a página da Élia, perguntei a mim mesma qual era o anseio da minha alma. A resposta foi imediata: amor e entrega. Acho que dei mais um passo na entrega à dança cósmica de energia vital que é vida.

Kali

Decidi assumir o nome que me foi dado nos encontros do umbigo. Eu não acredito em coincidências e o facto de me terem "baptizado" Kali quando não me conheciam e não tinham como saber da Shakti... foi uma surpresa daquelas, entre muitas outras que aconteceram nesse 1º encontro.

Sou mais terra e fogo, rebelde, gosto de questionar as regras, mudá-las... destruir o que não serve e é obsoleto para construir algo novo... sou mais a Kali que a Shakti :)

Antes tinha receio de me mostrar e de falar, e quando o fazia (porque não aguentava mais) acabava por sair tudo num tom muito agressivo e desajeitado e as minhas sugestões acabavam por ser apenas ruído. Mas agora que estou mais solta, tenho feito algumas mudanças pelo mundo que me rodeia e isso é muito bom.

Estou a fazer aquilo com que sonhava em criança: mudar o mundo. Mas em pequenos passos, porque tudo duma vez é complicado ;)

Wednesday, May 21, 2008

Perseguir a própria cauda

Olho os campos a transpirar de vida, a transbordar de cor e sinto o chamamento da Mãe Terra. Sinto-o cada dia mais forte e cada dia mais difícil de ignorar.

Quero sentir a terra, as pedras, as ervas e tudo o resto nos meus pés descalços. Quero sentir a Mãe, a sua força, o seu amor incondicional, o seu cheiro... Quero sentir-me parte dela. Quero sentir tudo o que tenho direito e do qual me privei todos estes anos... e quero-o agora!

Apetece-me gritar! Largar tudo, deixar esta vida e esta sociedade com as suas regras loucas e partir em busca duma vida diferente. Libertar a minha alma desta meia-vida.

Olho para esta sociedade e vejo-nos num ciclo vicioso, qual cão a perseguir a sua própria cauda. Trabalhamos para ter uma casa melhor, um carro melhor, que não temos tempo de desfrutar porque temos que trabalhar cada vez mais para os pagar e manter. Quando alcançamos os nossos objectivos materiais continuamos a sentir-nos insatisfeitos e achamos que se conseguirmos ter mais coisas, mais poder, mais influência, resolvemos o problema. E então trabalhamos ainda mais para ter as tais coisas para as quais não temos tempo para saborear porque temos que trabalhar. E deixamos de ter tempo para nós mesmos, para a família, os amigos, deixamos de viver e perseguimos esta quimera de alcançar a felicidade através dos bens materiais.

Trabalhamos que nem escravos para dar melhores condições aos nossos filhos, mas não temos tempo para eles. Largamo-los às tantas da manhã numa instituição e vamos buscá-los já cansados e sem energia. Será que as melhores condições não são dar-lhes mais amor e não mais brinquedos, melhores escolas, roupas de marca....?

Que raio de vida é esta? Se é que lhe podemos chamar viver, que eu duvido muito que possa ser chamado assim.

Sinceramente, esta sociedade nunca fez qualquer sentido para mim desde que me lembro de ser gente. Nunca encontrei respostas às minhas perguntas e acabei por tentar encaixar-me nestas regras insanas. Mas agora conheci pessoas diferentes, vidas diferentes e as dúvidas e as questões voltaram... mas desta vez tenho respostas. E não é esta a vida que quero. Falta decidir como e quando fazer a mudança. Porque mudar isso já está decidido.

Este cão fartou-se de perseguir a cauda e sentou-se. Escolhe agora uma estrada diferente para seguir, uma outra vida para viver.

Monday, April 28, 2008

Soltar a voz e a alma

Sempre senti uma atracção por cantar, mas a voz saía sempre desafinada, aguda, estridente...

Desde o "acordar da raiz" que a minha voz está diferente, mais grave, mais forte. Mesmo o ritmo é diferente, mais pausado.

Ontem, senti um impulso e cantei :) uau, soava bem! Fartei-me de cantar alto este refrão:

E é amar-te assim perdidamente
E é seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente

Cantei-o em diferentes versões. A vibração que produz no corpo é fantástica, contagiante. Só queria cantar e sentir aquele vibrar.

Sinto que soltei parte da minha alma, juntamente com a voz :)

Saturday, April 19, 2008

Ser um exemplo positivo

video

(também podem ver o vídeo aqui )

A mensagem geral é muito importante: aquilo que fazemos influencia o futuro porque o futuro são as crianças e nós temos influência sobre elas. Que futuro queremos?

Este vídeo impressionou-me principalmente pela última cena. Trouxe à memória a violência física, psicológica e sexual de homens sobre as mulheres da minha família, nas últimas 3 gerações...

Essa é também uma das razões deste meu coração fechado. Aprendi demasiado cedo que amar dói, que a vida é difícil, que amor pode ser sinónimo de violência e dor, que não se pode confiar nos homens... e mais um rol de outras tantas coisas que gostaria de esquecer.

Infelizmente, não há como as apagar. Vou ter que as digerir, chorar... e espero que com o tempo as consiga deixar partir.

Tuesday, April 15, 2008

Iniciação

No sábado fui iniciada no Reiki.

O local transmite de tal forma paz e tranquilidade, que me sentei praticamente imóvel durante 3h. Eu que estou sempre agitada e a saltar de pensamento em pensamento. Foi uma sensação fantástica. Estar simplesmente ali, a viver aquela experiência a 100%.

A cerimónia de iniciação não foi menos marcante. A dada altura entrei num estado de consciência mais profundo e consegui sentir a energia de outro ser perto de mim.

Já antes tinha sentido a presença de alguém (um guia, um anjo) que me protege. Mas depois da iniciação, consigo sentir a sua presença muito mais forte. Sinto um amor que toca o mais recôndito lugar da minha alma. É tão profundo, que por vezes sinto-me fundir nesse sentimento, como se deixasse de ter corpo.

Sinto-me bem. É Primavera e estou profundamente apaixonada. Sinto a vida sorrir-me. Sinto todas as peças da minha vida começarem a juntar-se, a fazerem sentido.

Tenho vontade de abraçar todos :) de chorar e de rir, de amar, de viver.

De repente, deixei de ter pressa e passei a saborear todos os pequenos acontecimentos do dia.

Estou profundamente grata.

Thursday, April 10, 2008

Estou viva e é fantástico!

Hoje, sinto-me viva. Como se pudesse iluminar o mundo. Quero viver, sentir tudo. Apetece-me cantar e dançar.

De manhã, enquanto chovia torrencialmente, fui de pijama para a varanda sentir a chuva e o vento. Foi fantástico sentir a chuva fresca na cara, nos braços, no pescoço. Só tenho pena de não o ter feito nua :)

Sinto a Primavera, sinto toda a força da vida: a celebração da abundância, da diversidade.

Estou viva e é fantástico!

Wednesday, April 9, 2008

Viagem sem retorno

Hoje, choro.

Choro a minha incapacidade de amar, a mim própria e aos outros. Choro a minha incapacidade de me sentir amada.

Choro por todas as vezes que me senti só e que me escondi da vida por medo.

O universo parece saber o que me vai na alma e chove tudo o que eu não consigo chorar.

Sinto a minha alma presa. Mas ela anseia por voar, por libertar-se...

Esta é uma viagem a dentro de mim mesma e é uma viagem sem retorno.

Determinação e coragem

Fui andar um pouco e vi um caracol atravessar a rua. Admirei a sua coragem e determinação. Ele, tão pequeno e indefeso, aventura-se naquela travessia imensa e cheia de perigos como se nada fosse.

Pensei para mim: porque não fica ele na segurança das ervas? Mas a verdade é que não há nenhum sítio verdadeiramente seguro e ficar lá apenas por medo, é deixar de viver. É morrer aos poucos, um bocadinho cada dia.

Olhei para mim e pensei na quantidade de coisas que deixo de fazer por medo, porque escolho aquilo que me parece mais seguro. Deixo de viver, encolho a minha alma mais um bocadinho, por pura cobardia. E fi-lo tantas vezes...

Tuesday, April 8, 2008

Amanhã, olharei o mundo com um novo olhar

Sinto-me mudar...

Desde o "acordar da raiz" que sinto que me voltei para dentro, para mim e para os meus sentimentos. Tudo aquilo mexeu muito comigo.

Tenho dias em que estou cheia de energia, em que me sinto capaz de comandar um exército. Outros em que vivo a alegria contagiante da Primavera. Ontem foi um dia de iluminação e hoje de mudança.

Sinto-a em todo o meu ser. Consigo mesmo sentir a dor física, como se o meu corpo estivesse a borbulhar, a mexer-se, a transformar-se. Sinto como que pedaços de mim a mudar de lugar. É estranho, doloroso e assustador.

Mas apesar de tudo, sinto lá no fundo, um formigueiro de excitação, de entusiasmo, porque sei que é uma mudança que me vai levar um pouco mais adiante nesta caminhada.

De hoje em diante a minha vida nunca mais será como dantes.

Os últimos dias foram cheios de pequenas coincidências, sinais, de pequenos milagres... deixei-me emocionar até chorar e rir ao mesmo tempo.

Sinto-me profundamente viva, abençoada e amada.

Amo-vos.

Tuesday, March 25, 2008

O milagre da vida

Fui lavar a loiça amontoada há já alguns dias e ao abrir uma caixa deparei-me com um bolor enorme. Espantei-me por haver vida onde antes havia apenas sujidade. Senti que a vida é uma sucessão de pequenos milagres e que todos juntos formam o milagre maior que é o amor.

E percebi que já não olho o que me rodeia com o mesmo olhar. Antes ter-me-ia culpado por deixar a loiça suja tanto tempo, teria visto apenas sujidade. Mas hoje vi vida, vi o milagre maior, o milagre do amor.

Sinto-me profundamente grata. A mim, por ter acreditado, por ter lutado. A todos vocês que de alguma forma me ajudaram a caminhar, que não me deixaram desistir quando me sentia sem forças para continuar. Ao universo por continuar a dar-me o seu amor incondicional.

Um grande, grande abraço do umbigo (são mesmo viciantes estes abraços).

O acordar

Hoje, acordei às 6h da manhã, cheia de energia. Apesar de ontem me ter deitado às 2h (de hoje). Acordei mesmo o animal que há em mim, mas não sei o que fazer a tanta energia :)

Deixei-me aquecer e acariciar pelo sol da manhã. Vi passar as cegonhas em direcção ao rio e emocionei-me com a sua beleza e graciosidade. Senti a vida dizer: amo-te. E chorei pelas vezes que me senti só e separada do resto do universo.

Monday, March 24, 2008

Encontros do umbigo

Este fim-de-semana dediquei-o a mim, no "acordar da raiz" dos encontros do umbigo. Foi fantástico! Recomendo.

Foram 3 dias cheios de coincidências, de descobertas, de novas amizades... de tanta coisa. Definitivamente, uma experiência a repetir.

Lembrei-me muitas vezes do poema "A return to love". Lembrei-me dele sempre que me apercebi que não me assusta ser fraca, tímida, coitadinha, menina. Esse foi um papel que representei toda a minha vida. O que me assusta verdadeiramente é esta força imensa e inabalável que sinto em mim.

Por vezes tive que me controlar para não sair a correr dali, tal era o medo de sentir aquele poder, aquela força.

Hoje, voltei ao mundo real, mas felizmente, muito do que descobri lá, ficou. Esta força já não me assusta tanto e habituei-me a senti-la. Ajuda-me a estar aqui e agora, a estar mais confiante e segura, e, por estranho que pareça, mais disponível para os outros. Já não preciso disfarçar quem sou, sinto-me bem comigo mesma.

Hoje, sinto que sou o mundo e que o mundo sou eu. É um sentimento indescritível que me enche a alma e que me faz sentir ligada a tudo.

Aquela sensação fantástica de que o tempo parou, durou quase o dia todo. Sinto que aproveitei, cada minuto, ao máximo.

Fui até ao jardim e assim que entrei senti a força da natureza. Fiquei em "pele de galinha" de tão intensa que foi a sensação. Senti cada planta, cada árvore. Senti as raízes entranharem-se fundo na terra, senti os ramos abrir ao vento. Senti os rebentos brotarem suavemente da minha pele. Senti as folhas a desenrolar, a crescer, a baloiçar ao vento.

Sinto que sou a vida. Sinto que a vida não acontece, não é uma coisa exterior sobre a qual não tenho controlo, nem que devo tentar controlar. Eu sou, simplesmente, a própria vida.

...acho que não há palavras para descrever aquilo que sinto, é... maravilhoso, indescritível...

Tuesday, March 11, 2008

O Corpo

Hoje apercebi-me de quão mal trato o meu corpo. Da chatice que é ter que lavá-lo, penteá-lo, hidratá-lo. Apesar de ter um estilo de vida saudável a verdade é que encarava as tarefas básicas, diárias como um fardo, algo a despachar. Chego a aperceber-me que muitas das vezes era violenta comigo mesma: escovar os dentes até a gengiva deixar quase todo o dente desprotegido, pentear o cabelo rapidamente sem notar que muitas vezes até doía, esfregar a pele até arder...

Mas é este corpo que me permite viver, na verdadeira e completa acepção do termo. Viver. Sentir o frio da manhã, o calor do sol, a brisa do mar, o perfume das flores e as suas mil cores. É este corpo que me permite beijar quem amo, carregar os meus filhos, dar-lhes vida. Sentir a suavidade das pétalas da magnólia, sentir o doce e ácido sabor dos morangos, olhar nos olhos da minha alma gémea e sentir o coração bater, as pernas tremer... sentir o mundo, sentir a vida.

Apercebi-me de como é fantástico respirar, sentir o ar, as lágrimas quentes a correr pelas faces. Só hoje senti realmente o que é respirar e há tantos anos que o faço...

Perdoa-me pelas horas de trabalho a mais, pelas noites mal dormidas, pelas vezes que não comi. Estiveste sempre aqui, disponível para mim, fizeste sempre o que te pedi...

Amo-te e a partir de hoje vou cuidar bem de ti.

Monday, March 10, 2008

Mudar o passado

Li num livro da Vera Faria Leal que podemos "olhar" para os períodos particularmente difíceis da nossa vida e enviar amor a nós mesmos.

Há alguns anos, com a auto-estima completamente destruída , com as esperanças e os sonhos totalmente estraçalhados, num momento de desespero, decidi acabar com tudo. Morrer.

Não o fiz. Quando chegou o momento, disse para mim mesma: "Não, eu quero viver, mereço melhor do que esta vida. Tem que haver outra solução." E decidi enfrentar a situação.

Até há bem pouco tempo, via este dia como o pior dia da minha vida. Estava perdida, sem esperança, sem forças. Considerei morrer.

Experimentei o conselho da Vera e olhei com amor aquela mulher destroçada. Abracei-a no momento em que se preparava para morrer e chorei com ela.

Após algumas visualizações, percebi que aquela mulher não era fraca, que aquele dia não foi o pior da minha vida. Aquela mulher escolheu viver, enfrentou aquilo que mais temia e que a fazia sentir sem valor, sem importância. Ela mostrou força, coragem, determinação quando parecia haver apenas dor.

Aquele foi o dia em que escolhi viver. Foi o 1º de muitos passos neste caminho rumo à liberdade e ao amor por mim mesma.

Eu escolhi viver. EU ESCOLHO VIVER! :)

Hoje olho aquela mulher com admiração, olho aquele dia como o 1º duma nova vida. Olho a pessoa que me fez passar aquele calvário, como alguém que me deu a oportunidade de descobrir quem eu realmente sou: uma lutadora.

Renasci naquele dia para uma vida nova. Uma parte de mim morreu realmente: a parte sem esperança, sem força. Ficou a parte de mim que é forte, que acredita, que luta.

Agora quando volto áquele dia, sinto apenas admiração por aquela mulher. E enquanto ela chora nos meus braços, agradeço-lhe pela coragem, pela determinação, por ter lutado, por ter escolhido viver, por me permitir estar aqui hoje a partilhar essa experiência.

Desejo, do fundo do coração, que estas palavras vos encoragem a re-olhar os piores momentos da vossa vida sob outra perspectiva. A perceberem que afinal foram momentos decisivos que vos levaram a caminhar.

Desejo-vos luz.

Monday, February 18, 2008

Peregrino, aquilo que procuras por esse mundo, está dentro de ti.

Percebi hoje que as minhas raízes sempre estiveram comigo, bastava apenas deixá-las sair.

As raízes são esta força e determinação inabaláveis dentro de mim. São a certeza de que nunca cairei porque estou sempre segura.

A fé sem limites na doçura e no amor do universo. A certeza de que não estou só, a certeza de ser infinitamente abençoada e amada.

A confiança absoluta na perfeição da vida.

Peregrino, aquilo que procuras por esse mundo, está dentro de ti.
(inscrição latina centenária, na catedral de Santiago de Compostela, Espanha)

Friday, February 8, 2008

Ao meu anjo protector

Quando escolhi morrer, tu vieste e deste-me a morte. O fim pelo qual tanto ansiava. Desta vez, escolhi viver e tu deste-me a mão e disseste: "Levanta-te e anda. Endireita-te e olha a vida nos olhos. Sê quem és, sê tudo o que podes ser. Não te encolhas, não há do que ter medo. A vida é para viver, sem mágoas, sem ressentimentos, sem culpas. É simplesmente para sentir a magnificência de quem na realidade somos."

Agradeço-te do fundo do coração, com toda a minha alma, pela tua força e dedicação. Por teres estado sempre ao meu lado, sem forçar a tua presença. Estiveste sempre lá e disseste-me que sou eu quem escolhe o meu destino. Nunca interferiste, deste-me sempre o que escolhi. Foste sempre imparcial, deixaste-me percorrer o caminho sozinha, apesar de estares sempre ao meu lado.

Sentia-me culpada por ter partido, mas sei hoje que o melhor que te posso dar é brilhar, brilhar com toda a minha força, em todo o meu esplendor. Ser quem sou. Simplesmente, ser quem sou.

Renascer

Hoje sinto-me renascer. Mais forte, mais determinada, com a certeza que sou eu quem comanda a minha vida. Sinto-me renascer das cinzas do que fui: uma vítima, uma desgraçada, alguém sem poder de escolha. Hoje sei que não sou nada disso. Sou muito, muito mais.

Sinto-me renascer mais forte e poderosa. Quero abrir as asas e mostrar toda a minha beleza. Voar livre pela vida.

Sei hoje que nunca fui fraca, vítima, desgraçada... eu é que me coloquei nesse papel, tirei a mim mesma todo o poder e dei-o aos outros. Pois, hoje, escolho viver por minha conta e risco. Eu sou responsável pela minha vida. Mais ninguém, só eu.

Hoje sinto um profundo respeito por mim mesma. Sinto-me forte, capaz de viver a vida por mim e para mim. Capaz de abarcar a vida na sua totalidade, completamente.

Acho que estou a criar as raízes que pedi :)

É um misto de dor e alegria. Dói mudar, mas há uma profunda alegria por saber que me estou a tornar em quem nasci para ser. Estou a deixar sair todo o meu potencial, tudo o que posso ser, cá para fora.

Percebi porque é que em tantas religiões, senão todas, as pessoas se ajoelham ou sentam no chão. Também eu hoje senti essa necessidade, mais forte que nunca. Porque é da terra que vêm a força para crescermos em toda a nossa beleza em direcção ao céu azul e estrelado.

Sinto essa força dentro de mim, a crescer, a mudar-me, enquanto escrevo estas palavras sentada no chão. Sinto-me voltar ao início, à semente de quem sou, aninhada na Mãe Terra, onde posso ganhar raízes e daí crescer para a vida.

Hoje já não me sinto uma vítima da vida. Sei que posso escolher. No mínimo, posso escolher como encarar as situações que encontro. Mas sei que é muito mais que isso, eu posso escolher a vida que quero. Eu posso, sozinha, decidir a vida que quero ter.

Sentir este poder é fantástico. Permite-me olhar a vida de outra perspectiva. Já não sou uma vítima sem escolha, eu escrevo esta história magnífica que é a minha vida.

E então o tempo pára. E tudo é agora.

A magnólia novamente. Vejo-a todos os dias e todos os dias fico fascinada pela sua beleza, como se a admirasse pela 1ª vez. Tem agora mais flores, apesar do vento e da chuva terem deitado ao chão muitas das suas pétalas.

Vi os seus braços abertos à vida. Vi os pássaros saltitar nos seus ramos: melros, pardais e outros que não conheço. A magnólia é a sua casa: brincam, brigam, cantam, namoram, têm filhos. A magnólia não interfere nas suas vidas, nem faz distinção sobre quem a pode usar. Não diz: "Melros, aqui não!" ou "Estou farta do Inverno. Este nao não vou deixar cair as minhas folhas!".

Ela aceita simplesmente a vida como lhe é dada. Ela vive a vida na sua plenitude: o bom e o mau, a dor e a alegria.

Li uma vez que a vida é uma viagem. Podemos relaxar e apreciar a paisagem ou podemos passar o tempo todo a discutir com o condutor sobre a forma como ele conduz. E quando damos por nós, a viagem terminou.

A magnólia aceita a vida de braços abertos: o vento que deita ao chão as suas pétalas, a chuva que a alimenta, o sol que a aquece. Aceita perder as folhas perante o rigor do Inverno e florir ainda antes da Primavera.

Vi ao longe, para lá da magnólia, um bando de cegonhas. Voavam até um determinado local e aí deixavam-se ir ao sabor do vento. Vi-as planar, rodopiar como folhas de papel. Acabaram por se lhes juntar outras aves a planar em círculos a diferentes altitudes. Formaram um suave tornado. Foi uma visão fantástica, senti-me profundamente abençoada.

Senti que o tempo tinha parado, que a vida é uma imensidão de coisas belas e que só temos que aprender a aceitá-las para desfrutar delas. Lembrei-me então duma das minhas frases favoritas:

"...Tudo é amor. Com o amor vem a compreensão. Com a compreensão vem a paciência. E então o tempo pára. E tudo é agora."

em "Só o amor é real", do Dr Brian Weiss

Criar raízes

Saí para sentir a nova terra que me acolhe. Parei, num lugar calmo, rodeado apenas pela natureza e inspirei para sentir a sua energia. Senti a firmeza dum rochedo, uma energia sem idade, com uma força inabalável.

Ouvi num tom rude e quase ameaçador: "Quem és tu?". Encolhi-me e hesitei. Perguntei a mim mesma "Quem sou eu?". E depois de hesitar mais um pouco, endireitei-me e respondi "Sou luz e vim morar aqui temporariamente."

Esperava uma reacção violenta à impertinência da minha resposta, mas recebi apenas doçura: "Temporariamente, dizes bem. Sê bem vinda, querida filha!".

No dia seguinte disse: "Aqui estou Mãe para criar raízes". E ouvi: "Tens certeza, filha? A dor será tanta que parecerá que te estou a arrancar a alma." Hesitei uns breves segundos e respondi com toda a convicção e força que encontrei dentro de mim: "Sim, tenho certeza". A resposta foi: "Assim seja."

Sinto-me lutar contra a dor da transformação, mas sei que é necessária. Sei que esta energia não me deixará partir enquanto não tiver as minhas raízes. Quando as tiver largar-me-á docemente no mundo, apesar de nessa altura já não querer partir.

Para renascer é necessário morrer. Para ganhar novas folhas é necessário deixar cair as actuais. A Primavera está a chegar e se quero florir tenho que deixar cair as minhas mágoas, culpas, tristezas e ressentimentos. Voltar-me para dentro, tornar-me forte, para então criar raízes e poder crescer, florir, viver.

Tuesday, January 29, 2008

Viver

Sinto o suave e doce aroma da Primavera, que se aproxima, acariciar-me a pele.
Invadir todo o meu ser e deixar em cada célula do meu corpo o desejo de renascer, de rejuvenescer, de viver.
Quero abrir os braços e deixar crescer os ramos, deixar brotar as folhas. Senti-las baloiçar ao vento, sentir o calor do sol e a suave frescura das gotas da chuva.
Sinto o meu coração florir, desabrochar para o mundo.
Quero criar raízes e sentí-las bem fundas na terra húmida e nutritiva. Sentir-me ancorada à Mãe Terra e daí crescer em todo o meu esplendor.
Hoje sinto o pulsar da vida em todas as células do meu corpo, no mais profundo do meu ser. Sinto-me viva! Estou viva, sou vida e escolho viver, agora!

"A return to love", by Marianne Williamson

Our deepest fear is not that we are inadequate.
Our deepest fear is that we are powerful beyond measure.
It is our light, not our darkness that most frightens us.
We ask ourselves, Who am I to be brilliant, gorgeous, talented, fabulous?
Actually, who are you not to be?
You are a child of God.
Your playing small does not serve the world.
There is nothing enlightened about shrinking so that other people won't feel insecure around you.
We are all meant to shine, as children do.
We were born to make manifest the glory of God that is within us.
It is not just in some of us; it is in everyone.
And as we let our own light shine, we unconsciously give other people permission to do the same.
As we are liberated from our own fear, our presence automatically liberates others.

"A return to love", by Marianne Williamson


Estas palavras tocaram-me profundamente, não consegui conter as lágrimas quando as li pela 1ª vez e emociono-me sempre que as leio novamente. Incitam-me a procurar e a viver o que de melhor há em mim.

Desabrochar


Apesar da ainda baixa temperatura de Inverno, vi uma Magnólia salpicada de lindíssimas flores brancas. Tenho uma particular paixão por árvores e as Magnólias têm aquelas flores magníficas, voluptuosas e maravilhosamente perfumadas. Simplesmentes lindas! Parecem trazer ao mundo toda a beleza da vida, como se fossem capazes de acordar a nossa alma e todos os nossos sentidos.

Demorei-me a admirar a sua beleza.

Reparei na quantidade de flores ainda por abrir. Na promessa implícita de muito mais beleza do que aquela que mostra. E lembrei-me de mim, que mostro aqui e ali, timidamente, pequenos vislumbres da minha luz. Mas sei que tenho muito mais para dar...

Sinto que mais mudanças vêm aí, sinto Fevereiro como um novo começo, um novo desabrochar. Sinto no peito a emoção de quem sabe que a vida trará novas e fascinantes aventuras e desafios. Será que serei capaz de, na Primavera, como a Magnólia, mostrar sem medos toda a minha beleza e luz, tudo o que sou? Espero que sim :)

Também reparei que a Magnólia é a única planta/árvore, que conheço, que dá flores antes de se vestir de folhas. Oferece ao mundo o que tem de mais precioso, antes de se proteger a si própria...

A vida tem muitas formas de transmitir o que precisamos aprender, e a mim diz-me que preciso começar a pensar em mim e depois então dar-me aos outros, algo que até hoje não soube fazer. Esta bela visão da Magnólia foi mais uma magnífica forma da vida me relembrar o que tenho a aprender.

Tuesday, January 22, 2008

O rio

Ali, parece parado
Com uma força imensa
Como se já lá estivesse antes do tempo ter começado
E como se lá ficasse muito depois de ter terminado

Na sua força imensa
Parece parado
Mas alberga um mundo inteiro de vida
Um ciclo interminável de criação

Na sua quietude
Imutável
Parece nunca se ter movido
E no entanto, está em constante mudança

Desejo um dia ser assim
Forte na minha essência imutável
Mas saboreando a infindável mudança que é a vida.

Pequenas ajudas

Tenho bastante dificuldade em meditar, a minha mente está constantemente aos pulos pelos mais diversos temas e fantasias, mas há algumas actividades que me ajudam a centrar e a encontrar a paz interior.

Deixo-as aqui listadas na esperança de que também vos possam ser úteis:
  • Caminhar - a macrobiótica recomenda caminhar todos os dias durante 30 minutos, faça chuva ou faça sol. E a verdade é que é um excelente relaxante, para além de exercitar o corpo. Eu prefiro caminhar no seio da mãe natureza: um jardim ou perto dum rio. Mas à falta de melhor, a cidade também serve. Não se deixem intimidar pela poluição, está mais que provado que o ar interior dos edifícios (habitações, escritórios, e outros) é bem mais poluído do que o ar de qualquer cidade cheia de carros.
  • Yoga - não o do ginásio, mas um yoga mais oriental onde se dá tanta importância ao espírito como ao corpo. Procurem aulas com meditação, visualização e técnicas de respiração (pranayama).
  • Respirar - sem dúvida um dos pontos mais importantes e o ponto em que todos parecem estar de acordo. Tenho encontrado referências nas várias medicinas e nas diferentes abordagens à vida e à busca espiritual.
  • Observar/sentir a beleza do que nos rodeia - para mim é mais fácil praticar isto com o mundo natural: jardins, árvores, rios... e ajuda respirar enquanto se aprecia.
Procurem o que resulta com vocês e deixem aqui as vossas sugestões ;)

Monday, January 21, 2008

Dar de coração aberto

Este fim-de-semana tive uma óptima notícia: fui promovida. No entanto, e apesar de ter ficado contente e de ter muita confiança com a pessoa que me deu a notícia, fiquei queda e muda e não disse uma palavra de agradecimento (quem deu a notícia foi também quem decidiu a promoção).

Mais tarde, enquanto passeava no jardim, pensei no porquê desta minha incapacidade de demonstrar os meus sentimentos mesmo com alguém em quem confio. E percebi que o faço por medo, medo da rejeição, medo de não obter uma resposta positiva da pessoa que está do outro lado. Ou seja, não dou de coração aberto. Dou, mas fico à espera de algo em troca: um sorriso, um agradecimento ou apenas uma frase de concordância com a minha atitude.

Perguntei a mim mesma de que me serve ficar fechada e a resposta foi: de nada. Não ganho nada com isso, muito pelo contrário: não expresso os meus sentimentos e perco oportunidades de conhecer pessoas maravilhosas, de fazer amigos... de viver.

E voltei às perguntas: se não me serve de nada, porque é que me continuo a fechar? Por medo. Mas de que me serve esse medo? Protege-me de alguma forma? Não. Não impede que os outros sejam frios comigo, que zombem ou que não gostem de mim. Mesmo ficando fechada e sozinha no meu canto, não estou protegida do sofrimento. Porque o sofrimento sou eu que o inflijo a mim mesma e não os outros. Os outros podem pensar e fazer o que quiserem, estão no seu direito. Mas isso só me magoa se eu não estiver segura de mim e de quem sou, se precisar das opiniões alheias para me validar enquanto pessoa.

O medo só me impede de viver. Estou apenas meia viva, e a minha alma encolhe um bocadinho de cada vez que não deixo sair o que sinto, de cada vez que não sou verdadeira comigo mesma.

Percebo agora porquê que a vida parece às vezes passar num piscar de olhos: porque não a vivo, escolho olhar para o lado e fazer de conta que não estou lá... e assim se deixa uma vida escapar por entre os dedos...

Tuesday, January 15, 2008

Tempo para mim

Há já muito tempo que não pintava ou escrevia. Ultimamente, tenho concedido algum tempo a mim própria para me dedicar a essas actividades e hoje ao jantar lembrei-me que esta não é a 1ª que pinto ou que escrevo. E interroguei-me sobre a razão de ter passado tanto tempo sem o fazer, uma vez que é óbvio o prazer que me dão.

O meu 1º pensamento foi para as pessoas e empregos que passaram pela minha vida e que me exigiam tempo e dedicação. Mas depois olhei com um olhar mais crítico e com o coração aberto e vi que eu é que não me concedi esse tempo, eu é que exigi de mim própria fazer tudo perfeito até à exaustão, eu é que me exigi dar atenção desmesurada aos outros e nenhuma a mim mesma.

A verdade é que continuo a fazer praticamente as mesmas coisas, mas já não exijo de mim perfeição. Se não conseguir passar toda a roupa a ferro hoje, passo-a amanhã. Se não conseguir cozinhar hoje, amanhã almoço fora ou cozinho qualquer coisa rápida (não me vai saber tão bem, mas tive hoje um tempo para mim). A verdade é que há sempre outras opções, basta olhar e não exigir sermos perfeitas.

Por isso, se tu que lês estas linhas sentes que não tens tempo para fazer aquilo de que gostas, se sentes que a tua vida é uma sucessão interminável de dias cansativos, se os anos parecem passar num piscar de olhos... pára e pensa se tudo o que fazes é realmente necessário e se é necessário que fique feito hoje e se tem mesmo que ficar assim tão perfeito. Concede tempo a quem tens de mais importante: tu.

E não te enganes, trabalhar ou cuidar dos outros até à exaustão não deixa a família nem os superiores mais satisfeitos. Qualquer um deles prefere que lhes dediques menos tempo mas que o faças com todo o teu ser, com toda a paixão e amor que tens dentro de ti. Porque quando fazemos com a alma, quando estamos ali a 100%, deixamos sair aquilo que de melhor há em nós e fazemos também sair aquilo que de melhor há nos outros. Pensa nisso.

Saturday, January 12, 2008

A razão de ser


O desejo de escrever e a procura dum sentido mais espiritual para a vida, foram (e são) duas constantes na minha vida.

Agora que o caminho começa a parecer mais nítido, decidi partilhar o meu percurso com quem também sente esse desejo profundo de saber mais. É esse o objectivo deste blog: partilhar com todas as minhas almas gémeas (porque eu acredito que somos todos almas gémeas) a (ainda) curta experiência da minha busca espiritual. O meu desejo é que vos traga alguma luz.

É verdade que o caminho só cada um, sozinho, o pode percorrer. Mas a presença nas nossas vidas da luz dos que nos acompanham, ajuda-nos a persistir, a acreditar, ... a caminhar.

É também uma forma de agradecer ao universo pelas pessoas que de alguma forma iluminaram a minha vida, que me ajudaram quando dei por mim perdida e sem forças para continuar. Elas mostraram-me que há um caminho e que vale a pena percorrê-lo... que vale a pena lutar por mim e pela minha vida.

Questionem a vida de coração aberto e acreditem que as respostas vos serão dadas. Porque são mesmo!