Tuesday, August 25, 2009

As mulheres da minha vida

Perguntaram-me se herdei da minha Mãe e do meu Pai esta energia para levar avante a minha nova vida. Pensei por uns momentos e respondi que a minha Mãe sustentou sozinha a família durante muitos anos e a minha Avó fez a mesma proeza. Naquele momento senti orgulho nelas, pela sua coragem e determinação. E senti uma alegria imensa por me sentir dona da minha própria vida :)

Sinto que reescrevi a história das mulheres da minha família: mãe, avó e bisavó maternas.

Sinto-me mais leve e livre. Era a altura de libertar o peso que estas mulheres carregaram: de luta pela sua sobrevivência contra a sociedade e os homens. É tempo de deixar partir esta energia e fazer as pazes com o mundo, com os homens e principalmente comigo mesma.

Aqui fica o testemunho do meu amor pela minha Mãe e pela minha Avó, que me criaram contra todas as adversidades da vida. Estou-vos imensamente grata. E estou grata a mim mesma pela minha força, coragem e determinação :)

Monday, August 17, 2009

Viagens... a mim mesma

Pensava que já conhecia todos os meus medos, que já os tinha olhado nos olhos e de alguma forma aceitado a experiência que carregavam.

O que eu não sabia é que havia muito mais partes de mim, aquelas que eu nem imaginava que existiam e que habitam em sítios muito mais profundos. Estas reviram-me as entranhas, literalmente.

E embora seja doloroso, mesmo fisicamente, lidar com elas, a verdade é que me sinto cada vez mais EU. Ao aceitar estas partes de mim, aceito-me a mim mesma sem excepções, sem ses e sem mas. E isso traz-me um sentimento de paz e tranquilidade, de aceitação e de amor incondicional, que não tinha sentido antes. É um sentimento de estabilidade, como se tudo o resto pudesse desaparecer que eu continuaria a ser EU, aqui e agora.

Mas o melhor é ter compreendido que a vida nunca me aconteceu, fui sempre eu que a criei. Mesmo as coisas que eu não gostava, fui eu que as criei, com estas partes de mim para as quais me recusava olhar. Eu recusei aceitá-las, reconhecê-las como minhas, mas a verdade é que continuaram a influenciar a minha vida. É bem verdade que só aceitando podemos escolher, se não aceitarmos algo como nosso não podemos escolher o que fazer com isso - porque afinal não é nosso, ou assim escolhemos acreditar.

Ao compreender que fui eu quem criou tudo na minha vida, libertei uma imensidão de energia que utilizava para me proteger... da vida, do mundo, dos outros. A vida deixou de estar escondida numa qualquer esquina à espera para "me apanhar". É incrível a energia que usava para me proteger, para me esconder... como se isso fosse possível...

A vida deixa de ser um acaso, mostra-me simplesmente quem sou e diz "ama-te, ama e aceita esta parte de ti". Não há escolhas certas nem erradas, apenas experiências. Todos os caminhos vão dar a mim mesma.

E a vida que antes parecia difícil e confusa, começa a fazer cada vez mais sentido. Como se pouco a pouco me permitisse ver a vida como ela realmente é: uma experiência, uma forma de expressarmos quem somos, de nos descobrirmos e amarmos.

Uau, que fantástica esta viagem ao centro de mim :) a travessia parece tantas vezes assustadora, por vezes senti vontade de voltar atrás, mas valeu a pena persistir. É uma viagem sem retorno.

Monday, July 27, 2009

Amar incondicionalmente

Quanto mais me aceito como mulher, menos diferenças vejo entre homens e mulheres. As diferenças eram apenas um reflexo da rejeição de mim mesma.

Quanto mais me amo tal como sou, sem mudar coisa alguma, mais aceito os outros tal como são, sem querer mudá-los.

Passei anos a achar que devia amar e aceitar os outros primeiro... agora percebo porque não o conseguia fazer... simplesmente não sabia como fazê-lo...

Sunday, July 26, 2009

Resgatar a minha mulher

Ela não estava perdida num qualquer país longínquo, mas dentro de mim. Perdida e ferida, por anos de rejeição, de vergonha e de falta de amor.

Ainda me lembro de dizer que não era uma mulher, mas uma maria-rapaz: uma rapariga que queria ser um homem e por isso rejeitava o próprio corpo e o seu lado emocional.

Decidi aceitar-me tal como sou, tudo, sem deixar nada de fora. E isso inclui viver o meu feminino, a mulher que há em mim.

E quanto mais amo e aceito esta mulher, mais aceito os homens como iguais, como companheiros de vida. Não estou apenas a resgatar a minha mulher mas também o meu lado masculino e a relação com os outros: homens e mulheres.

Estou a aceitar a dualidade, os dois lados da vida: o yin e o yang, o dia e a noite, a vida e a morte, a alegria e a tristeza, as mulheres e os homens.

E os homens deixam de ser os tiranos abusadores à medida que percebo que quem mais abusou de mim fui eu mesma. Não posso esperar que me amem e respeitem quando eu própria não o faço.

Durante mais de 20 anos tentei ignorar o meu momento lunar (a menstruação, mas não gosto do nome). Cingia-me ao essencial e não pensava mais nisso.

Pela primeira vez, dei-me o prazer e a oportunidade de ficar apenas comigo e sentir o meu corpo. Aceitar a mudança, a nova fase do ciclo. E o que aconteceu foi surpreendente: as dores simplesmente desapareceram. Estavam cá apenas para me lembrarem que não devia ignorar o meu corpo, nem rejeitar-me a mim mesma.

Hoje vou festejar a minha menarca com uma grande fatia de bolo e um vestido vermelho :)

Agradeço-te Avó Lua, Mãe Terra, por este sangue, sinal de vida e abundância, sinal da minha capacidade de criar. Agradeço por ser mulher e por ter encontrado o meu caminho de volta ao teu regaço, Mãe, onde há apenas amor.

Fazer as pazes comigo mesma equivale a fazer as pazes com o mundo e com a vida :)