Monday, June 15, 2009

Círculos de mulheres

Pelo caminho ao encontro da minha energia feminina cruzei-me com os círculos de mulheres.

Os círculos são um reencontro entre mulheres, que através da partilha de experiências criam um espaço sagrado, no qual cada uma se sente segura para descobrir, curar e expressar a sua essência mais profunda. Para que possamos sentir o que é realmente ser Mulher, encontrar a nossa força, o nosso poder, a nossa voz, a nossa magia.

Quando mudamos o nosso comportamento e crenças perante nós mesmas, os outros e a sociedade, influenciamos todos e tudo o que nos rodeia, criando mudança. E assim, o objectivo dos círculos é criar essa mudança nas mulheres, para que seja possível construir uma nova sociedade, alicerçada em valores como a cooperação e o respeito pela natureza, por nós mesmas e pelos outros.

Mas isso só será possível com homens de coração aberto e mulheres fortes que encontraram a sua voz e a sua expressão. Numa sociedade patriarcal, cabe provavelmente às mulheres o papel mais difícil: o de se aceitarem e expressarem sem medos, sem preconceitos e sem vergonhas a sua/nossa condição de mulheres.

Chegou o momento da mudança, aqui e agora. Deixo-vos o apelo: juntem-se aos círculos de Mulheres!

Em Portugal conheço apenas os círculos organizados pela AiGA, em Lisboa, e os que eu organizo em Coimbra (nas luas cheias e luas novas). Se não há círculos na vossa área, deixo-vos o desafio de organizarem um!

O que significa ser feminina?

Há cerca de 2 anos permiti-me olhar para a mulher que há em mim e percebi que não sabia o que era ser feminina. Procurei sinais dessa essência nas outras mulheres, mas encontrei principalmente femininos reprimidos e comportamentos masculinos. A minha busca voltou-se para a literatura e a internet, e aos poucos fui juntando as peças que encontrava e que faziam sentido para mim. Começou assim o resgate da mulher que há em mim: pedaço por pedaço, peça por peça.

O que é afinal a energia feminina? qual a essência desta energia criadora?

Para mim feminino é união, cooperação, suavidade, beleza, doçura, harmonia, generosidade, nutrição, força, flexibilidade, justiça, intuição, criatividade, sensibilidade, empatia. A Mãe que a todos ama e acolhe. O ciclo infinito de vida e morte, yin e yang, mudança, transmutação e magia.

Hoje sinto-me renascer de mim mesma, sinto-me aqui e agora, renovada e pronta para uma nova vida. Que assim seja!

Sunday, May 31, 2009

Criar, curar, nutrir

Como sempre, o universo respondeu às minhas perguntas.
No retiro com a LuzClara, conheci a Agniha, uma irmã que não faz magia, ela é magia :) A Agniha disse-me exactamente estas palavras: "Tu és paz". E lá estava a resposta à minha questão.

Neste mergulho às profundezas de mim mesma, encontrei também aquilo que quero ser: quero ser uma curadora. Quero curar-me a mim e aos outros. Quero criar, curar, nutrir. Nutrir para que cada um encontre um lugar seguro para se curar e assim possa criar a sua própria vida.

E apesar do cansaço deste turbilhão de emoções e de mudanças, o meu rosto ilumina-se com um enorme sorriso e sinto o coração transbordar de paz e alegria, ao escrever estas linhas. Acho que encontrei mesmo aquilo que quero ser na vida :)

Não sei se consigo viver disto, mas a verdade é que não importa: mesmo que tenha fome, frio ou cansaço, sentir-me-ei profundamente plena e realizada se puder ajudar alguém. Sinto-o no coração e também já o experimentei nas sessões de reiki: depois de 2 ou 3h de pé, sentia-me cansada, com fome e com frio mas estava em paz, com a certeza que era ali o meu lugar.

E este poema Taoista expressa bem aquilo que sinto:

Quando o sapato serve - Chuang Tse (xix,12)

(...)

Quando o sapato nos serve,
não nos lembramos que temos pé.
Quando o cinto nos serve,
não nos lembramos que temos barriga.
Quando o coração está certo,
nunca estamos "a favor" ou "contra".

(...)

O que é fácil, está certo.
Quando se começa de um modo certo,
tudo se torna fácil
e, enquanto for fácil, tudo estará certo.
Quando seguimos no caminho certo, em que tudo é simples,
não nos apercebemos sequer que há um caminho
e muito menos que ele está a ser fácil.

Wednesday, May 27, 2009

A luz da alvorada

Hoje, sinto-me na alvorada duma nova fase da minha vida. Sinto-me mais calma e confiante.

Nisto tudo, compreendi a diferença entre emoções e amor. O Amor é suave e calmo, fala baixinho ao coração. Na agitação do dia-a-dia e no barulho das nossas mentes frenéticas é muito mais fácil ouvir o ruído das emoções.

Compreendi também as relações de co-dependência: quando não se conhece nada mais para lá das emoções, continuamos numa relação que nos faz mal apenas porque ali sentimos algo, sentimos algo pulsar em nós. É a única forma de atenção/afecto que conhecemos, apesar de nos matar (literalmente) aos poucos, ficamos.

Não compreendia uma relação de amor verdadeiro, porque é muito calma. Algo parecia sempre estar errado, porque não conseguia ouvir a minha voz interior, a voz do amor. Faltava o ruído das emoções que me fazia sentir viva.

Vejo, agora, que tomei muitas decisões baseadas nas emoções. Não me arrependo delas porque sei que esta viagem era necessária para chegar aqui, onde estou, agora. Não há outra forma de aprender a não ser por experiência própria, sentindo. Morrendo e renascendo das próprias cinzas...